segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Mumbling | Pensar demais


Fotografia pot Pana Vasquez no Unsplash

O nosso coração acelera, sentimos o chão a desabar e respirar torna-se complicado. Ouvimos os segundos a passar, o vento a sussurrar à nossa volta, temos fome, sede e vontade de partir sem ideia de quando voltar, por isso paramos. Respiramos. Ficamos calados. Imóveis. 
Quando seguimos o nosso caminho, estamos chateados e abatidos com o que ficou por dizer. Promessas vazias de um amanhã diferente tomam lugar mas parte de nós sabe, parte de nós reconhece a impossibilidade de fugir ao medo que nos consome, ao medo daquilo que não conseguimos controlar
Debaixo das estrelas, apoiados numa almofada de sonhos, idealizamos o rumo que a conversa haveria de levar. Devia ser assim, simples. Eu contava o que se passou, ele dizia que concordava e tudo acabava bem mas na escuridão, nos confins da minha cidade encantada, reconheço a verdade: eu nunca vou conseguir contar.
Não seria mais fácil? Não seria eu mais feliz? Deveras menos arrependida. As palavras podiam cair, as ações podiam pesar menos, mas não. Os meus movimentos são lentos e as ideias repensadas. Eu podia ter dito "Olá" mas e se fosse inconveniente? Eu podia ter tentado ajudar. No entanto, existem pessoas que podem fazer mais e melhor. Por isso não faço, não digo, não grito e mais tarde sinto-me culpada.
O mundo seria mais fácil (até mais amarelo), se não pensássemos demais. Preferimos deixar a luz apagar, aquela luz que assinala o momento de agir, de deixar que a bravura tome conta de nós. Afinal, o que é que receamos? Falhar? Fazer figura de estúpidos? Todos somos estúpidos, pelo menos uma vez. 
Tenho tendência a pensar demais, decerto não serei a única. Porque é que fazemos isto? Porque é que complicamos e nos martirizamos? É como ter um relógio dentro da cabeça, um daqueles irritantes cujo ponteiro dos segundos teima em falar. É uma voz, constante e aguda que nos diz que iremos cair, por isso mais vale  não andar. É um desafio. 
Muita gente tenta ficar calada, eu tento falar. A voz não sai. Muita gente é impulsiva, eu tento sê-lo. Não consigo.
Um dia vou construir um comboio de palavras, de gestos e de ideias por concretizar. Sentar-me a ler um livro e a beber chá de menta, deixando-me levar pelo sabor amargo desses insucessos. Eles vão relembrar-me do que escrevi hoje, da frustração e desilusão que ficar parada novamente acarreta e lembrar-me-ei que preciso de viver mais um bocadinho.


3 comentários:

  1. É dificil não pensar, mas por vezes é o melhor caminho =)
    Beijinhos,
    http://chicana.blogs.sapo.pt/

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    1. É importante saber quando simplificar
      Beijinhos

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  2. Muitos dos nossos problemas surgem, precisamente, por pensarmos demasiado nas coisas. Prendemo-nos a todos os «ses» que nos conseguimos lembrar e quando damos por isso já estamos de tal modo emaranhados que não conseguimos retroceder.
    Nem sempre é fácil não o fazer, mas devíamos mesmo descomplicar e tentar não pensar muito.

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